Inside Of You

“Ela sempre foi 8 ou 80, sempre demais ou de menos, tudo ou nada. Ela nunca gostou do meio termo, aquele talvez e aquele mais ou menos a irritavam, a irritavam profundamente, além de deixa-la confusa e meio perturbada. Para ela, aquilo era só para pessoas que não sabiam o que realmente queriam, aquelas pessoas indecisas, que nunca sabiam para que caminho ir. Ela gostava de demonstrar que sabia exatamente o que queria, sendo isso verdade, ou não. Uma pessoa de opinião forte, odiava ser contrariada, odiava ser obrigada a algo. Ela sempre gostou da certeza, da razão, de ter o controle das coisas que se passam, dentro e fora dela, ela sempre gostou de saber o que se passa, tanto dentro dela, quanto fora. Digamos que o amor era algo que ela realmente não esperava e não gostava, ela ficava confusa, indecisa, perdia todo o controle que achava que tinha em seus sentimentos e pensamentos, aquele amor a deixava perdida, confusa […] “
Online: Total de visitas:

Get over it
theme by missdarkness

Capitulo 2

O tempo parecia passar tão devagar, estava me cansando de ficar dentro daquele cubículo, que chamávamos de carro.  Estava ouvindo uma música que a tempo não ouvia.. ah, aquela música, uma das mais especiais, me fazia lembrar dele. Sempre que eu o via ele estava cantando ou tocando aquela linda, que parecia representar o munda pra ele, lembro-me dele cantando pequenas estrofes da música, ele dizia ser a música que estava tocando quando mamãe e ele se conheceram, estavam no show daquela banda, eram exatamente meia-noite quando aquela música começou; “ Depois da meia-noite nós acendemos as luzes da cidade, nos abraçamos e ficamos juntos até nascer o sol” , aquela música de um certo jeito, acendeu algo na cabeça de meu pai, ele pegou o carro e levou minha mãe para passear por lugares aleatórios da cidade.. Lembro-me dela me falando como ele foi maravilhoso com ela, disse-lhe palavras bonitas, demonstrou carinho por ela […] Ela havia me dito que ele realmente sabia usar as palavras. Lágrimas surgiram em seus olhos ao lembrar dos dois, era tanta a saudade que machucava teu coração,

- Você está chorando – disse George preocupado.

- Claro que não – disse inutilmente, limpando o que restava de lágrimas em meus olhos.

- É, consigo perceber. – disse ele ironicamente.

Odiava quando isso acontecia, lágrimas caiam bem em frente a ele. Não queria explicar o motivo dela, preferia ficar calada, quieta em meu canto do que tentar explicar tudo o que se passa aqui dentro de mim.. além de que, se nem eu mesma me entendia, ele seria incapaz de fazê-lo.  George as vezes conseguia ser bem intrometido e irritante, mas sabia que ele se preocupava, ou melhor, se preocupa comigo. Ele fazia um bem tão grande a minha mãe, logo a perda de meu pai ela havia ficado extremamente depressiva, falava pouco e comia pouco… e foi assim por um bom tempo, até que em um sábado levei-a para uma lanchonete, conhecer novas pessoas, talvez se divertir, ou pelo menos, se distrair. Ela no começo ficou um pouco irritada e nervosa, mas aos poucos foi relaxando. Lembro-me de estarmos sentado em uma das mesas no fundo, quando um desconhecido se aproxima.

“É você mesmo, E ?”

Ela olhou para mim com cara de quem queria uma ajuda, então foi o que eu fiz, tentei ajuda-la

“Desculpe-me senhor, quem é você?”

Ele aparentava ser uns 2 ou 3 anos mais velho que minha mãe, na certa era empresário, algo nele aspirava isso, talvez o jeito que estava vestido, como falava..

“Sou antigo amigo, ou melhor, ex-namorado, de Elisabeth.”

No começo havia me surpreendido um pouco, não sabia de antigos namorados de minha mãe, estranho pensar que ela podia ter beijado, abraçado, alguém além de meu pai, eles começaram a conversar, interrompendo meus pensamentos sem sentido.

“A meu Deus, G?”

“Ah, então você se lembra, não?”

“Desculpe-me, só que você me parece tão… diferente, talvez seja esse lindo corte de cabelo, ou essas roupas todas elegantes e organizadas.”

“Hahaha, bem digamos que todos nós temos de mudar, não? E parece que mesmo depois de todos esses anos a sua beleza e bom gosto continuam ai, não?”

Juro que vi-a corar um pouco, ela estava finalmente sorrindo, não um sorriso falso, só para me agradar, mas um de seus verdadeiros que há tempos não via.

“Mentira sua. Ooh, deixe-me te apresentar a minha filha, Mariana. Má, esse é um antigo amigo meu.”

Fiquei meio constrangida, percebi que ele não se sentia muito confortável também.

“Oi.”

“Olá. Hm, não sabia que você havia tido filhos, E.”

“Bem, filhos não, só tive uma, linda e sabida, filha.”

Ela sorriu para mim, com um orgulho em seus olhos, queria cair aos prantos, ali mesmo, na frente de todos. Ela estava orgulhosa.. de mim.

- Chegamos. – disse George me tirando de todas aquelas lembranças de minha cabeça.

Balancei a cabeça ainda meio tonta.

- Nossa, impressionante, achei que ficaríamos em um lugar menos.. elegante. – disse impressionada com a linda e enorme casa no qual estávamos em frente.

- Bem.. queria lhe dar todo o conforto que você merecia.

- Hm, acho que devo lhe disser obrigada, então.

Ele nem precisou responder, abriu um daqueles enormes sorrisos satisfeitos, que só ele sabia dar.

- Vamos entrar, eu visitei ele semana passada, é enorme, você pode escolher onde você vai querer ficar.

- Tem segundo andar?

- Sim, por que?

- Hm, nada não, o que há no andar de cima.

- Acho que dois, ou três banheiros, uma mini cozinha, dois quartos de hóspedes e uma suíte com closets e..

- Oh, quanta coisa, entendi, então poderia ficar.. sozinha no segundo andar?

- Bem.. se é isso que você quer, claro que pode, dormirei na suíte aqui, no primeiro andar mesmo.

- Ok.

- Vamos entrar então, pega a chave que estai dentro de minha mochila.

Peguei a mochila que estava em meus pés e abri um dos primeiros zíperes. Logo vi em um dos mini bolsos a chave, peguei-a rapidamente e fui em direção a porta, destranquei-a e automaticamente minha boca se abria num espanto de alegria misturado com ansiedade, a porta ia abrindo devagar e, com isso ela ia vendo um pouco dos detalhes da porta, era tão linda, branca, ou melhor um beje extremamente claro, era tão bem feito.

Fiquei parada feito boba encarando o hall, a porta aberta e eu ali, admirando tudo o que havia ali, era um lugar tão simples, mas ao mesmo tempo tão elegante e bonita. Quando você entrava se dava de cara com uma mesa cor dourada, ou melhor, cor de ouro, em cima haviam lindas rosas verdadeiras. Ali estavam vários e vários quadros, eram tão lindos, eram verdadeiramente obras primas. Fui entrando e conhecendo o lugar e fui me surpreendendo cada vez mais, acho que minha boca não poderia se abrir mais que aquilo. A cozinha era algo.. maravilhoso, moderno, lindo.

Depois de um belo tempo admirando o andar de baixo  finalmente subi ao andar de cima, que nomearia de, meu andar. Havia um corredor ali, o que parecia o corredor da dor, havia fotos e mais fotos espalhadas por ai, eu com minha mãe, eu com o meu padrasto, todos nós juntos.. Me mudei para tentar esquecer coisas que aquele corredor todo me lembraria todos os dias. Dentro de mim cresceu uma raiva, uma sensação de injustiça.. e foi crescendo cada vez mais e mais. Quando me dei conta já estava toda descontrolada, quebrando absolutamente todos os quadros que haviam fotos nossas, não aguentaria ver aquilo todos os dias. Não estava sendo nada silenciosa ao quebrar todos aqueles quadros, então, logo George subiu para ver o que diabos estava acontecendo.

- Ah, meu Deus, o que é que você fez? Ah, você quebrou todos os meus lindos quadros.. ah - disse George meio surpreso meio tristonho.

- Quem mandou você fazer isso? É algo contra mim? Você quer me fazer sofrer mais e mais? Qual teu problema? – gritei a ele.

- Se controle má. Não fiz isso pra te machucar, você sabe que eu só quero teu bem.

- Não me chame de má, você sabe muito bem por que saímos de lá, você sabe o que ela estava sentindo, você sabe o que ela fez.. bem se você não sabe, eu sei, então por favor, não me venha dizer que você colocou todas essas fotografias dela sorrindo, dela feliz, dela isso e dela aquilo para ter uma imagem melhor dela, você sabe por o que ela estava passando, ah como você sabe que essas fotografias me trazem lembranças antigas, antes de tudo acontecer.. você quer que eu esqueça do que ela fez, do mesmo jeito que ela fazia com a imagem de meu pai.

- Não, você entendeu errado, eu só coloquei por colocar, se não gostou, apenas retirasse, mas olha o que você fez! – disse ele um pouco mais alterado.

Estava muito brava, muito magoada para dizer qualquer coisa, só corri até o ultimo quarto, ao que parecia ser o principal. Fechei a porta com uma força, talvez desnecessária e corri até a cama de casal que havia ali. Chorei, chorei tanto que acho que toda a minha cara estava inchada, que toda a cama, todos os travesseiros estavam molhados.. Eu me arrependi de toda aquela cena, mas, eu sentia raiva de todos, raiva de minha mãe, de meu pai, raiva de quase todos, sei que não é culpa de George, mas não sei o motivo, mas minha mente bloqueia todas as coisas que minha mãe fez naquele dia. Lembranças daquele dia estavam tentando penetrar em meus pensamentos, mas não deixaria, não e não. Levantei e sentei na cama. A sim, aquele quarto era maravilhoso, George tinha caprichado na arrumação, nos armários, e o closet parecia enorme. Aquele, seria o lugar onde ela guardaria seus segredos, o lugar onde ela guardaria suas lágrimas, seus tristezas, onde ela guardaria suas emoções e pensamentos mais intensos, aquelas paredes saberiam, conheceriam mais ela do que qualquer outra pessoa.

Olha lá estava ela, olhando para o espelho, vendo seus olhos inchados, suas mãos sangrando, por conta dos vidros que voaram na hora em que ela estava quebrando todos os quadros, sua maquiagem toda havia saído, pelo jeito, ficaram todos impregnados na cama, já que estava toda preta, toda suja. E como sempre, lá estava ela, triste, procurando por algum motivo a sorrir, a viver […]


Capitulo 1

Tenho devaneios profundos, me perco em meio de tantas emoções e pensamentos, sei disso mais que ninguém, eu sei do grande problema que tenho. Mudei tanto, foi de um lugar a outro, mas sem grandes mudanças, sem grandes emoções, sem grandes dores. Sei o quanto aquela mudança iria afetar o seu mental, mas já não suporto mais ficar nessa casa, digamos que de vez em quando sinto más vibrações, sensações estranhas…  Ainda tinha o cheiro dela, ainda tinha as coisas dela. Tão estranho ficar naquela grande casa sem ela aqui, me dizendo o que fazer, brigando ou discutindo comigo…

- Já coloquei minhas malas no carro, vamos? - Disse George interrompendo meus pensamentos.

- Deixa eu me despedir, vai levando minhas malas ao carro e logo depois eu desço.

Assim que ele fechou a porta do quarto de minha mãe, uma lágrima escorreu de meu rosto, uma lágrima foi chamando a outra, até que todo meu rosto já estivesse todo molhado, todo manchado, todo inchado. Eu definitivamente sentiria falta daquele cheiro de seu perfume. Sei o quanto era preciso ir… mesmo querendo ficar, aquelas lembranças estavam ficando… insuportável demais, aquele cheiro trazia lembranças demais… sentimentos demais… Tinha que ir embora, agora.

Desci as escadas do jeito mais rápido e desengonçado possível, olhei para os quadros tão belos, me traziam tantas lembranças. Me deparei com um quadro de uma paisagem de Santos, quando eu e minha mãe fomos lá e acabamos pintando um quadro daquela praia maravilhosa, no quadro estava meu padrasto, George e minha mãe, Elisabeth. Eles estavam sentados numa toalha olhando o por do sol e eu, estava ali na água brincando, pulando, dançando… bom não sei bem o que eu estava fazendo. Lembro da minha mãe pintando o quadro. Ela me falava de seus planejamentos para o futuro…

“Sabe filha? Eu acho que quando você completar 15 anos nós iremos viajar para longe, conhecer novos lugares, novas pessoas, respirar novos ares, mas só iremos eu e você, George provavelmente vai ficar um tanto enjoado no avião, então penso que iria ser bem melhor uma viagem só com você.. o que você acha?”

“Pode ser mamãe, mas vai demorar pra eu completar 15 anos, não é?”

Naquela época devia ter míseros 10 anos. Depois disso ela começou a falar da época de quando meu pai, o verdadeiro, morreu, era doloroso pra ela falar disso, mas ela ficava repetindo várias e várias vezes que ele era um grande homem, que ele era um herói… Ela parecia sempre querer manter uma boa imagem dele, mas não parecia… real. Ela ficava nervosa quando a contrariava.

Balancei a cabeça para afastar todos os pensamentos e lembranças que tentavam tentando entrar na minha mente. Chega de ficar olhando a casa. Peguei a chave da porta que estava na bancada da cozinha e fui até a porta. Sai e logo vi meu padrasto arrumando as coisas do carro, fechei a porta e tranquei-a.

- Onde coloco a chave? – Eu disse com uma voz meio rouca.

- Debaixo do tapete, já avisei a família que o alugou que estará lá.

- Qual dos tapetes?

- O perto da planta.

Fui até o tapete e coloquei a chave ali embaixo. Assim que me levantei vi algo brilhar dentro do vaso onde estava a planta que minha mãe havia plantado quando eu tinha uns 12 anos. Aquela planta que eu havia trazido da escola. Me inclinei para pegar o pequeno objeto, parecia ser um pingente, tinha formato de uma gota de água caindo. Ela pegou, estava meio sujo de terra, então limpou em sua blusa branca que seu padrasto havia lhe dado de ano novo. Quando foi ver mais de perto, era um pequeno pingente que aparentava ser o que sua mãe havia perdido quando ainda viva. Era um que continha a foto de seus pais, quando se casaram, ela olhara aquela foto com lágrimas nos olhos.

- O que aconteceu, Mariana? - Perguntou George preocupado.

- Nada.. Eu só achei uma coisa aqui no vaso, já estou indo ai.

- Ok, venha depressa.

Apressadamente, guardei o pingente em no bolso da calça jeans. Sentia tanto a falta de meus pais, que chega a doer mais que qualquer coisa. Eu já tenho 15 anos e tudo na minha vida já parece estar acabando, minhas responsabilidades e dores eram até maiores do que certas pessoas mais velhas, mais adultas.. Sofri tantas e tantas perdas, não aguento mais ir em velórios, chorar.. não aguento mais mortes. Eu fui me distanciando, me separando, me afastando de todos por medo de me apegar e depois sofrer. Estava em pensamentos tão profundos que nem reparei em George chamando meu nome.

- Já estou indo - Gritei.

Entrei no carro apressadamente e sentei-me no banco ao lado do motorista, peguei meu ipod na minha bolsa, coloquei meus fones e coloquei a musica no volume máximo, estava disposta a fazer qualquer coisa para esquecer todos os problemas por alguns minutos..

- Tira esse fone, agora. - Gritou George.

Eu, que estava com o fone, quase não consegui identificar o que ele havia falado, então, tirei os fones.

- O que você disse?

- Desliga isso.

- Por que?

- Pra nós conversamos, má.

- Sobre o que? Já tinha lhe dito, não vamos conversar sobre ele, nem sobre ela, fim.

- Mas..

- Mas nada.

Revoltada, coloquei meus fones de volta e desliguei todo o barulho de fora, tanto da voz de George,do barulho do carro, do vento… Naquela hora nada parecia importar tanto. Fiquei o resto da viajem ouvindo música, George pareceu entender que não queria conversar no momento, no começo tentou que tentou conversar e tirar-me o fone, mas com o tempo, graças a Deus, desistiu. Indo para um lugar novo, conhecer gente nova.. uma aventura e tanto, mas sabe? Já passei por tantas coisas que isso seria só.. um minimo detalhe, e bem, vou levando aos poucos… Só espero que esse ano seja melhor.